Bastidores: Luigi Ricciardi

Escritor de Maringá conta alguns detalhes sobre o novo romance “Os passos vermelhos de John: ou a invenção do tempo

Perfil

Luigi Ricciardi nasceu em Londrina, no Paraná. É escritor, mestre e doutor em Literatura pela UNESP (Araraquara). Fundou a revista Pluriverso e é colaborador dos sites Homo Literatus e Obvious, escrevendo resenhas críticas e matérias. Colaborou também com os jornais O Diário e Gazeta Democrática. Publicou cinco livros de contos: Anacronismo moderno (2011), Notícias do submundo (2014), Criador e criatura (2015), Antes fosse uma metáfora morta (2018) e A aspereza da loucura (2018). Atualmente, lança seu primeiro romance: Os passos vermelhos de John: ou a invenção do tempo (2020) pela editora Penalux.

A escolha da personagem John

John dos Passos era apenas o nome em algumas lombadas na biblioteca em que eu era estagiário. Eu estranhara o nome alternar entre o inglês e o português. Mas ficou só nisso, não me interessei pela obra dele naquele momento, no qual eu começava a me reconectar à literatura.

Tempos depois, por intermédio de um amigo, o escritor Ademir Demarchi (daqui da cidade, mas radicado em Santos), descobri que John dos Passos havia passado por Maringá em 1958. Nossa cidade é super jovem, seu ano de fundação é 1947. É uma história muito recente e também muito rica ao mesmo tempo. Achei interessante o fato do escritor estadunidense ter passado por aqui nos anos iniciais da cidade. Achei que alguém deveria escrever sobre aquilo, fosse um livro de ficção ou não.

Acabei descobrindo que John havia escrito sobre sua passagem por aqui no seu livro “O Brasil em movimento”.

Quando li os registros dele, entendi que eu deveria pôr em prática o que já se passava pela minha cabeça: escrever um romance sobre sua estadia em Maringá.

Pesquisa histórica

Além da leitura do livro não-ficcional do John, li seus romances, a biografia da amizade dele com Ernest Hemingway e também vasculhei a história da cidade. Consultei tudo o que podia pra recriar aquela cidade meio velho-oeste, como John descreveu em seu livro. Conversei também com historiadores que me ajudaram a entender o processo de colonização da região, a influência inglesa por meio da Companhia de Terras que fundou tudo, os imigrantes, os trabalhadores comuns e os monumentos. Mas a partir daí eu crio a minha Maringá.

Escritor e booktuber

Eu escrevo esporadicamente. Quando escrevi esse romance ainda não fazia vídeos para o youtube. Depois que comecei a fazer os vídeos, escrevi pouco. Não apenas porque o canal me toma bastante tempo, mas porque também não me senti impelido à escrita. Não gosto de forçar. Cheguei a começar um novo romance, além de revisar outro que está pronto. Escrevi alguns capítulos, mas acho que preciso amadurecer mais a ideia. Então deixei repousar sem nenhum problema. Quando for o tempo dele, retornarei para o texto.

O interesse pela escrita

Sou daqueles que acreditam que só nos tornamos escritores porque desejamos escrever uma história que gostaríamos de ler e ainda ninguém escreveu. Leitura e escrita juntas. Mas depois, é claro, é ser lido. Não escrevemos para as paredes. Se publico um livro, é porque desejo que alguém o leia. Tenho ciência do momento que vivemos e das estruturas que regem esse país, sempre impelindo as pessoas para longe da leitura. Mas acredito que haja muitos leitores em potencial. Um livro pode fazer transformações.

O romance

Depois da  primeira leitura crítica mexi bastante nele. Escrevi algumas coisas para preencher lacunas e principalmente fiz um trabalho parecido com o de montagem no cinema. Como a narrativa é fragmentada e usa vários gêneros textuais, era preciso acertar bem a mão na dinâmica dos estilos e saber mostrar e esconder informações para não dar tudo ao leitor, ou dar aos poucos. Esse processo foi demorado, mas foi bem prazeroso. Eu me diverti bastante escrevendo esse livro.

Capa do livro “Os passos vermelhos de John: ou a invenção do tempo”, editado pela Penalux.

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O conteúdo de Bastidores é de uso exclusivo do site The Quarentena.

Márwio Câmara é escritor, jornalista, professor e crítico literário. Editor-chefe e idealizador do site The Quarentena.

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