“Não encontro outro modo de reagir se não escrevendo”. O adeus ao mestre Sérgio Sant’Anna

Márwio Câmara

Morreu na manhã deste domingo (10), o escritor Sérgio Sant’Anna, um dos mais importantes nomes da literatura brasileira contemporânea.

Internado há mais de uma semana, em decorrência do COVID-19, amigos e leitores aguardavam um retorno positivo do autor de 78 anos.

Em um de seus últimos posts publicados nas redes sociais, Sant’Anna desabafou: “Meus queridos e minhas queridas, não quero assustar ninguém, mas acho a peste que nos assola simplesmente aterrorizante. Não encontro outro modo de reagir se não escrevendo.”

Nascido no Rio de Janeiro, em 30 de outubro de 1941, Sérgio Sant’Anna estreou na literatura com o livro de contos O sobrevivente, edição em pequena tiragem custeada pelo pai. Foi com a primeira obra que conseguiu a bolsa para participar do International Writing Program, da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos.

Formou-se em Direito na Universidade Federal de Minas Gerais e pós-graduou-se no Instituto de Ciências Políticas. Fez parte do corpo docente da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, seguindo carreira de professor universitário até 1990.

Na imprensa, atuou em diferentes veículos, sendo colunista do jornal O Dia e colaborador da Cult, além dos cadernos literários dos jornais Folha de São Paulo e Estado de São Paulo.

Embora tenha escrito alguns romances, consolidou-se na literatura pelos seus livros de contos, tornando-se uma das maiores referências do gênero no Brasil.

A morte do autor tem causado uma grande comoção entre escritores e artistas brasileiros, através de manifestações públicas nas redes sociais, a exemplo de Daniel Galera, Xico Sá, Marcelo Lins, entre outros.

Escritores e artistas se manifestam nas redes sociais em homenagem a Sérgio Sant’Anna

Fazendo uma breve análise de sua produção, trata-se de um texto que volta sobre si mesmo, questionando as possibilidades da literatura. Tal particularidade apresenta três fatores fundamentais em sua escrita: a tendência à experimentação formal, a intertextualidade com diferentes linguagens artísticas e a fusão de gêneros narrativos.

Sérgio Sant’Anna ao longo de uma prolífera carreira foi laureado três vezes com o Prêmio Jabuti de Literatura.

Entre as suas obras de destaque estão: O monstro, Um crime delicado, O voo da madrugada, Páginas sem glória, O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro e O conto zero e outras histórias.

Márwio Câmara é escritor, jornalista, professor e crítico literário. Editor-chefe e idealizador do site The Quarentena.

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