A evolução da Crítica Literária – Parte 1

Guilherme Mapelli Venturi

Pretende-se, com este artigo, divido em partes, iniciar e incentivar o leitor à apreensão, por meio de uma leitura base, de problemáticas específicas a respeito da crítica literária, a fim de fazê-lo questionar-se sobre os efeitos e os porquês da produção, além é claro, de também levá-lo ao entendimento de quais informações e de quais maneiras elas são extraídas do mundo, pelo leitor/autor, para redação de sua obra; e do texto, pelo crítico, para o desenvolvimento da mencionada disciplina. Para tanto, utiliza-se como fio condutor, as diferentes correntes de crítica literária, as quais englobam o papel do crítico literário acadêmico e do crítico literário jornalístico; bem como a cronologia e a história, de maneira sintética, dessa ciência, quer no Brasil quer no exterior.

I.

A princípio, antes de se adentrar nessa seara, faz-se necessário trazer à tona a seguinte questão: o que é a crítica literária? As respostas, obvia e consequentemente, serão inúmeras e distintas, afinal, há divergências entre os teóricos, de acordo com a corrente crítica adotada por cada um, com as ideologias, com os contextos sócio-histórico-político-culturais, tanto do pretérito quanto da atualidade, entre outros fatores. Razão essa, pela qual, umas das possíveis conceituações dessa ciência, aparece mais à frente. Por ora, mostra-se mais apropriada a interrogação feita por Barbosa (2009, p. 1): “A pergunta básica que norteia este estudo é: para que serve a crítica? Antes de se fazer qualquer análise sobre seu processo de construção, sobre seus teorizadores ou sobre suas particularidades, há que se entender porque fazemos crítica”.

E, também, que assim como a grande maioria de qualquer manifestação cultural e/ou artística, ei-la em vigência tanto no oriente quanto no ocidente, sendo que, geralmente, o Brasil adota influências dos modelos estético-conceituais do exterior; como é o caso das diferentes correntes de crítica literária.

De acordo com Nina (2007, p. 21 – grifo do autor): “A crítica literária nasceu, como na França, na imprensa. Um bom apanhado do que foi a crítica do século XIX está no livro de Ubiratan Machado, A vida literária no Brasil durante o romantismo […]”.

Um século depois, a imprensa destinou à crítica, o espaço denominado “crítica de  rodapé”, o qual era redigido pelos “homens de letras”, a exemplo de “Álvaro Lins, redator- chefe do Correio da manhã e colaborador assíduo do Diário de Notícias”. (NINA, 2007, p. 23 – grifo do autor).

Explicando-nos do que trata essa crítica, Nina (2007, p. 24) diz que “Situado entre a crônica e o noticiário, o rodapé era assinado por intelectuais, que, a exemplo de Lins, cultivavam a eloquência e a erudição”, afinal, tinham como objetivo “convencer rapidamente os leitores num tom subjetivo e personalista”.

Contudo, havia um porém: a redação da crítica não era muito diferente da que era feita nos anos 1900, isso devido ao fato de que, naquela época, ainda não havia faculdade de Letras nem teóricos da disciplina, fazendo com que os textos ficassem entre um ensaio e à moda professoral, o que, consequentemente, carregava-os de digressões. (NINA, 2007). Dessa maneira, vigorava o impressionismo, que nas palavras de Nina (2007, p. 24), apresenta-se da seguinte forma: “[…] prática de uma arte ou ofício de forma amadora, sem levar em conta normas de ordem intelectual. Nesse caso, refere-se a textos que apenas justificam um gosto, sem preocupações teóricas”.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Sílvia Michelle Avelar Bastos. O espaço da crítica literária: a academia e os rodapés. Darandina Revisteletrônica – UFJF, v. 2, n. 1.
NINA, Cláudia. Literatura nos jornais: a crítica literária dos rodapés às resenhas. São Paulo: Summus, 2007.

Guilherme Mapelli Venturi é formado em Letras (Moura Lacerda), com pós-graduação em Português: Língua e Literatura, pela Universidade Metodista de São Paulo. Atualmente, faz graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação na USP. É escritor e crítico literário.

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